Por que estamos vivendo relacionamentos descartáveis?

Sabe aquelas fotos de casais felizes, que vemos diariamente nas redes sociais, sempre muito lindas e cheias de filtros? Então, nem a vida e nem os relacionamentos reais são assim. Não sempre, ao menos. E quem acha que vai encontrar um mar de rosas, desiste assim que percebe que relacionamento é, na verdade, uma construção.

Estamos vivendo relacionamentos descartáveis. Essa é uma constatação triste, não é mesmo? Muitas pessoas desistem diante das primeiras dificuldades, quando descobrem que se relacionar não é, nem de longe, um mar de rosas. Segundo Camilla Couto, orientadora emocional para mulheres, com foco em relacionamentos, pelo contrário: “se relacionar é uma construção diária que requer parceria, uma boa dose de paciência e de abertura para compartilhar, ceder, acolher, debater e aprender”, explica.

Parece muito difícil para você? Então, é um bom momento para se perguntar: o que você espera de uma relação a dois? Se a resposta for aquela realidade das redes sociais, em que tudo é lindo e cheio de filtros, comece a se preocupar, porque tem coisa errada aí. Talvez, para você, mais importante do que viver um relacionamento real, é se gabar com um relacionamento de fachada.

Para Camilla, em primeiro lugar, relacionamentos e amores não vêm prontos, são construídos diariamente e não da noite para o dia. Segundo, não se conhece alguém, de fato, em uma ou duas saídas. Terceiro, não existem pessoas perfeitas. E, por fim, os relacionamentos, assim como a vida, são constantemente inconstantes. “Amores e parceiros não caem do céu, não têm a ver com o acaso e, sim, com paciência e dedicação. Desejar uma relação tem quer ser sinônimo de estar disposta a mostrar as próprias fragilidades e incertezas, e de estar preparada para aceitar e acolher as do outro. Ninguém é a Mulher Maravilha ou o Super Homem o tempo todo”, lembra a orientadora.

Você já ouviu falar que o amor tem que ser regado? Essa analogia da natureza é realmente perfeita quando se fala de relacionamentos. Camilla lembra: “amar é plantar uma semente – se o solo for fértil, a relação germina. Então, todos os cuidados são necessários: adubo, água, carinho, diálogo, trocar de lugar quando preciso ou colocar em um vaso maior quando começa a crescer e dar frutos. Podar quando for o momento certo. E tudo isso tem que ser feito com afeto, entrega, desejo, confiança e verdade. Do contrário, o amor seca e morre”.

Mas e se a gente fizer tudo isso direitinho, será que dá certo? “Não temos como saber se não tentarmos”, explica Camila, que enfatiza: “não existe fórmula para que um relacionamento dure no tempo. Mas que é importante deixar pequenos detalhes de lado de vez em quando e saber conviver com as diferenças, ah, isso é. Por outro lado, voltando à analogia, também é preciso verificar se o tipo de solo e o clima locais são adequados ao tipo de planta que estamos cultivando. Forçar algo que não floresce naturalmente pode ser frustrante. Mas isso, só o tempo e a experiência dirão”.

É preciso, antes de tudo, querer amar. Desejar tanto que o relacionamento viva, que, em alguns momentos, temos que abrir mão de outras coisas por ele. Sem perder a individualidade, claro. Aliás, para que um relacionamento dê bons frutos, manter a individualidade é essencial. E isso não quer dizer que devemos ser egoístas, apenas entender que o “nós” é formado por dois “eus” que têm opiniões, desejos e vontades próprias.

E por que as relações estão descartáveis?

“Porque queremos tudo pronto e tudo para ontem. Queremos que a pessoa certa e a relação ideal caiam do céu e, como se não bastasse, não nos deem trabalho. Pelo contrário, queremos que o relacionamento e o parceiro atendam aos nossos desejos e que nos façam sentir sempre bem. Como se a vida fosse uma propaganda de margarina, e tudo fosse sempre fácil e maravilhoso. Esses chavões podem ficar bem na poesia, no cinema e nas letras de músicas, mas a vida real é fogo, é ajuste, é desavença. Discordar faz parte de crescer juntos”, reflete Camilla Couto.

Para a especialista, no entanto, muitas vezes, comportamo-nos como crianças mimadas que não podem ouvir um “não” ou passar por um perrengue, que já pulam fora. “Isso não é para mim”! “Claro que é para você. É para todo mundo. Se há amor, respeito, carinho e desejo, vale a pena. Mesmo não sendo perfeito, mesmo tendo que lapidar, mesmo trazendo sofrimento de vez em quando. A vida não é só feita de alegrias, certo?”.

Relações descartáveis são fruto de um tempo em que estamos, na verdade, morrendo de medo de: 1) mostrar que não somos perfeitos e 2) encarar as imperfeições do outro. Ninguém é perfeito. E, por isso, as relações humanas também não o são. “O fato é que desejar ter alguém é bem diferente de desejar construir um relacionamento”, complementa Camilla. Segundo ela, é preciso, primeiro, entender exatamente o que queremos e o quanto estamos dispostos a oferecer.

Saiba mais: www.amarildas.com.br

Sobre Camilla Couto: Camilla Couto é Orientadora Emocional para Mulheres, com foco em Relacionamentos. Criadora/ autora do Blog das Amarildas e fundadora do PAR – Programa Amarildas de Relacionamentos. Orientadora emocional, Terapeuta Floral (TF-153-17/SP) e Contoterapeuta, viveu durante 8 anos no exterior conhecendo diferentes culturas e comportamentos. No blog amarildas.com.br, compartilha seus estudos sobre amor, relacionamentos e dependência emocional – com o propósito de promover mais entendimento sobre esses temas e de incentivar as mulheres a se amarem e valorizarem cada vez mais. Mais informações: Camilla Couto | www.amarildas.com.br | amarildasblog@gmail.com

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