Crianças na pandemia: como criar cidadãos em meio ao coronavírus?

Período pode ser oportunidade para trabalhar a criatividade, resiliência e empatia dos pequenos

Muito se fala em entreter as crianças durante o tempo de isolamento pelo qual passamos, ou como manter os estudos em dia, mas para que os pequenos acompanhem as mudanças de ritmo e rotina, ter entendimento da situação pode ser o melhor caminho. De acordo com a coordenadora do Ensino Fundamental Anos Iniciais do Colégio Marista Paranaense, Sheila Lippmann Hey, é um exercício de cidadania estar ciente do momento atípico que estamos vivendo. “Se os cuidados com a higiene são solicitados, é necessário entender a razão para que possam ser praticados. Quando as crianças não estão cientes ou envolvidas no processo, uma resistência pode ser gerada para determinadas orientações da família e, por isso, a informação é importante”, alerta.

As crianças foram afetadas diretamente com a suspensão das aulas e o isolamento social, sendo retiradas do convívio dos amigos e familiares. Passaram a utilizar máscaras, fazer a higiene das mãos mais vezes que o habitual e nada é explicado a ela? Sheila defende que todos estão diretamente vinculados à pandemia. “É um marco histórico da humanidade, ao qual a criança faz parte. Existe a dificuldade de compreensão dependendo da faixa etária, mas o básico dentro do limite do entendimento para que ela se sinta pertencente a esse sistema deve ocorrer, e sempre com informações verdadeiras”. Os adultos devem ter atenção com a forma como lidam com a situação, pois estão sendo sempre observados pelas crianças. “O momento de isolamento trouxe grandes mudanças no dia a dia de todos, e as crianças dependem dos pais para passar por isso com tranquilidade”, observa.

Ela sugere que a primeira ação é a de escuta da criança. Questionar o que ela sabe sobre o assunto por ter ouvido noticiários, o diálogo dos adultos, programas de TV e outras fontes.

Esse diálogo precisa e deve acontecer de forma cautelosa, para que não sejam geradas outras dúvidas ou angústias. Frases com efeito positivo fazem com que as crianças sintam-se mais seguras, por exemplo: “estaremos mais fortalecidos quando tudo isso passar; nossa família está aqui e vamos passar por isso juntos”. É possível utilizar pequenas histórias para contextualizar o que será relatado. Ilustrações e pequenas experiências (como a do sabão que espanta o vírus) também são sempre bem-vindas, pois o que mais ela escuta, no momento, é a importância e cuidados com a higiene.

A coordenadora ressalta que é preciso proteger as crianças dessa “enxurrada” de informações que, para elas, não são necessárias pois podem ser perturbadoras e disparadoras de crises de ansiedade.

E o que será do futuro?

A única certeza que se pode ter no momento, é que após a pandemia, nada será como antes. Na rotina de todos, deverão ser incorporados novos hábitos para encarar uma realidade diferente que alterou o dia a dia de crianças, jovens e adultos.

Para trabalhar a resiliência e a capacidade de se adaptar a mudanças, Sheila explica que o levantamento de hipóteses, com o intuito de serem comprovadas posteriormente ou não, traz esse exercício tão importante para formar adultos bem preparados para o mundo. “Fazer um exercício de questionamento e imaginação promove discussões que auxiliam o desenvolvimento da criticidade, criatividade, exercício do protagonismo, pois abre possibilidades de projetos inovadores”, explica ela e conclui: “toda mudança gera um desconforto, faz parte da vida e gera crescimento”.

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